“Para estender seu contrato por apenas sete diárias a mais, Camila Queiroz fez um conjunto de exigências que não existe no mundo da produção audiovisual”, afirma Ricardo Waddington, diretor de entretenimento da Globo. “Ela queria alterar o desfecho da Angel (personagem de “Verdades Secretas 2”). O Tony Ramos não pode fazer isto, a Fernanda Montenegro não pode fazer isto”.

Waddington entrou para a emissora em 1982, como assistente de direção. Não demorou para se tornar diretor geral, assinando novelas como “Vale Tudo” e “Por Amor”. Depois se tornou diretor de núcleo, responsável por títulos como “Cordel Encantado”, “Avenida Brasil” e “Amor & Sexo”. Com a recente reformulação interna da Globo, foi promovido a diretor de entretenimento, comandando os Estúdios Globo (antigo Projac).

Na nova função, Waddington também supervisiona a contratação de todos os talentos artísticos, o que inclui atores, diretores, roteiristas e apresentadores. Desde o final de 2020, é ele quem capitaneia a mudança na maneira como a Globo se relaciona com esses talentos, substituindo muitos contratos a longo prazo por acordos por obra certa.

Em entrevista por videoconferência, pergunto a Waddington se a ida de Camila Queiroz para a Netflix, onde gravou o reality “Casamento às Cegas”, azedou a relação da atriz com a Globo, como ela mesma vem alardeando.

“Independentemente do que aconteceu na relação contratual de Camila conosco, o que motivou sua saída da emissora foram as exigências que ela fez para cumprir uma extensão de apenas sete diárias”, responde ele. “Todo o resto do elenco concordou em fazer. Não teve uma única pessoa que dissesse ‘ah, não, não vou fazer sete diárias’”.

“Isso não existe”, prossegue Waddington. “Nós somos profissionais. Protegemos com a nossa vida o que a gente faz. ‘O show não pode parar’ não é uma figura de linguagem. É a lei do que nós fazemos. O cara vai lá com febre, doente, a mãe morreu, mas ele sobe no palco e entrega o que tem que entregar”.

Além de alterar o final previsto por Carrasco para Angel e exigir um compromisso formal de que estaria numa eventual terceira temporada, Camila também quis o poder de aprovar a campanha de lançamento de “Verdades Secretas 3”, afirma o diretor.

“A campanha publicitária não é de responsabilidade dos Estúdios Globo”, afirma Waddington. “Nem eu tenho como garantir nada para ela. A campanha obedece a uma lógica de marketing, e temos especialistas que estabelecem essa lógica. Eu tenho 39 anos de Globo, 39 anos que eu trabalho com elencos, e nunca havia visto nada parecido”.